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Oficina promove valorização do patrimônio cultural

A aprendizagem da técnica da talha está fazendo parte do cotidiano de 20 jovens do município de São Cristóvão, localizado na Região Metropolitana de Aracaju. Reunidos na Casa do Iphan às terças e quintas-feiras, das 13h às 16h, eles participam da oficina ‘Mais Artesanato’, ministrada pelo educador Nivaldo Barbosa, um dos candidatos contemplados no Edital de Apoio a Oficinas Culturais, realizado pelo Governo de Sergipe, através das secretarias de Estado da Cultura (Secult) e da Inclusão, Assistência e Desenvolvimento Social (Seides), e que integra o programa ‘Sergipe Mais Justo’.

Cada contemplado no Edital recebeu uma verba de R$ 15 mil para executar seu projeto ao longo de 2013. As idealizações abrangem temáticas diversas, entre elas, a cultura negra, a dança, o artesanato, a cultura popular, a música, a fotografia e a literatura. Toda a iniciativa faz parte do Programa ´Sergipe Mais Justo´, plano estadual de combate à pobreza extrema, e tende a viabilizar a aprendizagem e a valorização cultural, a qualificação profissional e a comercialização de materiais com vistas à independência financeira.

De acordo com Nivaldo Barbosa, a intenção de atender às demandas comerciais das obras entalhadas em São Cristóvão esteve intimamente ligada ao sonho de se tornar arte-educador. “Como não há mão de obra específica no município, só era possível criar, diariamente, dez peças artesanais dessa natureza. Daí surgiu a ideia de elaborar um projeto que proporcionasse a multiplicação de saberes. Em seguida, soube da existência do Edital de Oficinas Culturais e aproveitei  a oportunidade para tornar o meu sonho realidade”, detalha o oficineiro do ‘Mais Artesanto’.

A técnica da talha, de caráter escultórico, parece ser simples, mas exige coordenação motora e atenção minuciosa da paisagem ou objeto a ser reproduzido. O aprendiz, ao ser inserido na oficina ‘Mais Artesanato’, ainda precisa de mais um atributo para se tornar um bom artesão – difundir e valorizar o patrimônio cultural local material e imaterial.

 “Para melhor reproduzir o Boi de Reisado e paisagens, como a da Praça São Francisco (considerada Patrimônio Histórico da Humanidade) e a Igreja do Carmo, os alunos precisam se ater aos detalhes e entender que o trabalho artesanal envolve cuidado com o meio ambiente e compreensão da riqueza cultural existente em cada observação e criação. A madeira que utilizamos, conhecida como MDF, são as sobras obtidas nas carpintarias de São Cristóvão. Se não fossem reaproveitadas, poderiam estar causando impacto ambiental”, acrescentou o educador.

Aprendizagem

 
A talha, arte de cortar ou entalhar a madeira, tem o propósito de dar vida a um determinado desenho, transformando-o em alto relevo. As madeiras mais usadas são as moles, de mais fácil manuseio com ferramentas cortantes. Tais materiais, quando utilizados com a devida orientação, podem servir como instrumentos educativos e terapêuticos. Uma prova disso é o desempenho do jovem Ademir Galdino, 25 anos, deficiente físico e epiléptico.
 
“Trabalho com artesanato há dez anos, usando o coco para a produção de brincos e cortinas. Quando conheci a técnica da talha, decidi que aproveitaria artesanalmente tudo que a natureza me oferecesse e assim estou fazendo”, ressalta o aluno, se referindo ao aperfeiçoamento que está adquirindo na oficina ‘Mais Artesanato’.
Ademir, segundo a coordenadora pedagógica e administrativa do projeto, Rose Mary Barbosa, é o aluno mais aplicado da oficina. “Mesmo morando no Povoado Várzea Grande e usando, diariamente, a bicicleta e o transporte público para chegar até a Casa do Iphan, Ademir não só se mantém atento a todas as instruções, como leva madeira para casa, a fim de exercitar melhor a técnica”, destaca.
Qualificação, comercialização e difusão cultural
 
A melhoria da renda familiar após a conclusão da oficina é um objetivo almejado por Ademir e pelos demais participantes da oficina, já que a maior parte deles depende do Programa do Governo Federal Bolsa Família. Decoradas com tinta acrílica, a madeira cortada em tamanho 12×25 pode ser vendida por até R$ 35 e é tida como um belo objeto decorador, apreciado pela população local e por turistas de todas as partes do mundo.
 
“Sou apreciadora do artesanato e me sinto desafiada após a descoberta dessa nova técnica. Tenho a responsabilidade de transpor num pedaço de madeira o que representa a nossa cidade e a maneira como cidadãos de outros países a verão. Isso representa muito para mim, que ainda pretendo comercializar as minhas peças para aquisição de uma renda extra”, garante Amanda Grazielle dos Santos, 23 anos.
 

Exposição e catálogo

 
Além de tornar as potencialidades sergipanas visíveis ao grande público por meio da multiplicação do conhecimento e da comercialização de peças, a oficina ‘Mais Artesanato’ será finalizada com uma exposição e com a apreciação de um catálogo com imagens das produções dos alunos.
 
“Difundir a cultura sergipana encontrada em São Cristóvão e estimular o exercício da cidadania serão os grandes objetivos alcançados pelos alunos e educadores envolvidos nesse processo. Certamente, o olhar diante do patrimônio público cultural inspirará o conhecimento, a utilização coerente e a valorização coletiva”, conclui Nivaldo Barbosa.
 
Fonte: Secult

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