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Fazendo arte com filtros de café usados!

Entrevista com Rosely Ferraiol

Rosely Ferraiol descobriu a técnica em 1995. A partir de filtros de café usados, ela cria produtos sofisticados como luminárias, biombos, objetos de decoração, molduras e muito mais.
Em 2006 a artista montou seu ateliê no Presídio Romão Gomes, na Zona Norte da capital paulista, com o intuito de gerar trabalho e ajudar os detentos em sua conscientização.
Em parceria com grandes empresas, Rosely doa filtros de café novos para escolas e comunidades carentes e posteriormente os recolhe para dar continuidade ao seu trabalho.
Estima que 30 mil filtros de café usados deixam de ir para o lixo e se transformam em arte.
Por ser pioneira da técnica de reciclagem dos filtros de café, é uma das artesãs mais requisitadas em programas de televisão e revistas especializadas no assunto.

Confira a entrevista completa!

 ANR: Como descobriu a técnica?

Rosely: Estava passando por uma situação ate então desconhecida na minha vida, com problemas de saúde e perdas financeiras. Fui morar de favor numa minúscula casa.
Certo dia, tomando café com minha sogra, surgiu a ideia que mudou meus horizontes. Quando olhei para aquele papel usado no suporte do filtro do café, deu-se a empatia. Criei uma técnica de revestimento com filtro de café usado. Comecei a juntar os filtros e minha família achou que eu estava surtando.
Até que comecei a revestir luminárias, vidros de conservas, paredes, garrafas, caixas de leite, enfim, tudo o que era sucata. Parecia uma pessoa em transe As peças ganharam vida.
Com coragem mostrei o trabalho numa emissora de televisão. Foi um sucesso. Recebi telefonemas do Brasil todo, querendo aulas e DVDs. Comecei a dar aulas, entrevistas para a mídia impressa e televisiva e fiz palestras para arte-educadores na Bahia. Além disso, achei o que gostava de fazer! Comecei a ganhar muitos prêmios.

ANR: Depois que a técnica deu certo, quais ideias você teve?

Rosely: Minha criatividade se manifestou de tal maneira, que não conseguia parar de criar, para tudo que via pela frente e possivelmente iria ser descartado, eu achava solução.
E essa solução tinha estilo, pois comecei a estudar sobre a estética japonesa Wabi Sabi (valorização da Imperfeição).
Comecei também um trabalho com catadores de papel de rua e deficientes visuais do Centro de Apoio ao Deficiente Visual (Cadevi), e só surgiam resultados excelentes.

ANR: Por que decidiu ir trabalhar dentro de um presídio?

Rosely: A ociosidade de presídios sempre me incomodou, e como acredito na recuperação do ser humano, pois tento diariamente exercitar o humanismo com a colaboração da ONG de que sou integrante, Soka Gakkay internacional (Sociedade de Criação de Valores Humanos), pensei: aqui vou desenvolver meu trabalho, forjar meu caráter e ajudar a resgatar a cidadania dos detentos.

ANR: Fale sobre os seus compromissos com:

1-Meio ambiente

Rosely: Mesmo com um perfil de empresa limpa, cuja atividade principal não se caracteriza por agressões ao meio ambiente, minha empresa sempre manteve o compromisso de responsabilidade ambiental. Minha política corporativa de proteção ao meio ambiente remonta desde a década que criei a técnica, nos anos 90, num tempo em que nossa sociedade ainda não tinha consciência das reais consequências que a intervenção humana poderia trazer ao meio ambiente. Consciência até tinha, mas poucas atitudes eram tomadas.

2-População

Rosely: Minha técnica instalou uma limpeza de resíduos do planeta, pois estimo que nesta ação são retirados do lixo 50 mil filtros usados por mês, fora a corrente de ação que se formou.

3-Presidiários:

Rosely: O beneficio maior é o resgate da cidadania, pois eles recebem salário, remissão de pena, ticket-refeição para a família, reduzem a ociosidade, aumentam a autoestima e refletem sobre seus atos. Chamo isso de revolução humana.
Não há nada que se compare ao resultado de darmos oportunidade para quem está excluído da sociedade. É enorme o retorno, para ambos.

ANR: Além da arte desenvolvida com o filtro de café usado, você já pensou em trabalhar com outras técnicas?

Rosely: Sim, você acaba por fazer outras técnicas, pois elas se associam, mas meu carro chefe é a arte com filtro de café.

ANR: Quais são as dificuldades que você encontra na venda dos produtos?

Rosely: As dificuldades são de alguns lojistas, que não acham relevantes o trabalho socioambiental e só se interessam por preço, prazo e entrega. Esquecem também que é tudo artesanal, feito a mão.

ANR: Acha que existe uma maneira de acabar com essas dificuldades?

Rosely: A maneira que encontrei foi fazer uma loja virtual e parei um pouco com feiras.
A consumidora final tem mais consciência e quando ela acessa meu site já sabe que vai encontrar um produto de responsabilidade e com design.

ANR: Dê um conselho para quem quer aprender a técnica para aumentar a renda.

Rosely: Sou criadora da técnica e dou todas as indicações para que o trabalho traga resultado. O caminho que encontrei foi elaborar videoaulas, pois aprender pelos programas de TV é difícil, já que tudo é muito rápido.
E também faço esporadicamente cursos e workshops pelo Brasil.

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