anr_natal
Novidades

Arte em Papel – Aula Básica


 
 
 

Passo 1

 

O que é papel?

O papel é um afeltrado de fibras unidas tanto fisicamente (por estarem entrelaçadas a modo de malha) como quimicamente por ligações de hidrogênio ligações de hidrogênio.

História

No século II, a China começou a produzir papel para escrita com fibras de cânhamo ou de casca de árvore. Segundo os registros da “História do Período Posterior da Dinastia Han” do século V, o marquês TSai Lun (50-125) dos Han do Este (25-220 D.C.) produziu papel a partir de 105 D.C com materiais baratos – casca de árvore, extremidades de cânhamo, farrapos de algodão e redes de pesca rasgadas. O uso do papel vulgarizou-se, a partir de então; e o papel era conhecido entre o povo como “papel TSai Lun”.

 

A partir de então, o papel começou a substituir o bambu, madeira e seda. Nos séculos seguintes, os processos tecnológicos e equipamentos para a produção de papel desenvolveram-se mais ainda. O papel e métodos de fabricação deste material foram primeiramente introduzidos no Vietnam e Coreia: e depois da Coreia para o Japão. Os países árabes aprenderam com a China a produzir papel nos meados do século VIII, e dali a técnica expandiu para a Europa e o resto do mundo.

NO EGITO

 

Papiro: A planta sagrada

Muito da História do Egito nos foi transmitido pelos rolos de papiro encontrados nos túmulos dos nobres e faraós. Foram os egípcios que, por volta de 2200 antes de Cristo, inventaram o papiro, espécie de pergaminho e antepassado do papel.
Papiro é uma planta aquática existente no delta do Nilo. Seu talo em forma piramidal chega a ter de 5 a 6 metros de comprimento. Era considerada sagrada porque sua flor, formada por finas hastes verdes, lembra os raios do Sol, divindade máxima desse povo. O miolo do talo era transformado em papiros e a casca, bem resistente depois de seca, utilizada na confecção de cestos, camas e até barcos.

Para se fazer o papiro, corta-se o miolo do talo – que é esbranquiçado e poroso – em finas lâminas. Depois de secas em um pano, são mergulhadas em água com vinagre onde permanecem por seis dias para eliminar o açúcar. Novamente secas, as lâminas são dispostas em fileiras horizontais e verticais, umas sobre as outras. Esse material é colocado entre dois pedaços de tecido de algodão e vai para uma prensa por seis dias. Com o peso, as finas lâminas se misturam e formam um pedaço de papel amarelado, pronto para ser usado.

 
 

 

 

 

 

Passo 2

 

Feitura de papel a mão no Japão.

 

Hoje, como antigamente, fazer papel a mão, no Japão, é frequentemente realizado como uma fonte de renda fora da estação pelos pequenos fazendeiros que vivem em aldeias nas montanhas, onde há pouca terra para cultivo de arroz, mas uma abundância de boa água limpa nos riachos. Quando o fim do ano chega e a colheita do arroz acaba, esses fazendeiros invariavelmente se ocupam com a feitura de papel. Em um certo sentido, o trabalho é hereditário, sendo desempenhado em uma pequena escala, em casa, pelos membros capazes de cada família. Os métodos empregados são antiquíssimos e têm sido passados através de gerações sucessivas com pequenas mudanças. A estação para fazer papel difere de acordo com as localidades nas quais ele é feito. Ela geralmente começa no fim de novembro ou início de dezembro e termina em abril ou maio do ano seguinte. Nesta época do ano os fazendeiros que fazem papel como trabalho paralelo encontram-se muito ocupados pois eles têm muito o que fazer no transplante de mudas de arroz e na criação de bicho-da-seda.

 

Matérias-primas para papel japonês

Seja feito a mão ou a máquina muitos papéis japoneses usam fibras vegetais como matéria-prima. Entre essas fibras o gampi, kozo e mitsumata constituem o trio principal de materiais. Papel de gampi é considerado nobre; o de kozo, forte; e o de mitsumata, delicado. Para fazer papel japonês é comum usar um material muscilaginoso vegetal que é comumente chamado neri. Há vários tipos de neri, o mais comum é o tororo, uma substância proveniente das raízes do crescimento do primeiro ano da planta tororo, que é um tipo de malvácea. A função do tororo é fazer com que as fibras flutuem uniformemente na água. Outra função é retardar a velocidade de drenagem resultando assim uma folha de papel melhor formada.

 
 

 

 

 

 

Passo 3

 

NO MUNDO

Referencial sobre a História do papel

O papel tem sua história ligada a legitimos e nobres ascendentes. Além das placas de argila, ossos, metais, pedras, peles, o homem escreveu, desenhou, e pintou em papiro, sobre o líber e logo a seguir em pergaminho. O mais antigo papiro já encontrado data por volta de 2200 a.C., e pertence ao Museu Britânico; o papiro foi o suporte de escrita de uso corrente até os primeiros séculos da era Cristã, em toda Europa, regiões asiáticas, e naturalmente, África, de onde se originou. O pergaminho tornou-se o principal suporte de escrita durante quase toda a idade Média. Havia ainda o palimpseto, cuja palavra designa o pergaminho já usado e reaproveitado. O fenômeno do reaproveitamento do papiro repetia-se assim, com relação aos pergaminhos. Com a introdução do papel na Europa, os outros suportes de escrita e desenho desapareceram, restando a lembrança do papiro, na palavra papel, paper, papier. Foi longa e lenta a rota do papel a partir da sua invenção em 105 d.C. por T’sai Lun.

O papel só conseguiu atingir a Europa 10 séculos mais tarde, por caminhos tortuosos e difíceis. Os árabes o produziam, comercializavam-no, e o transportavam da Ásia pelo norte da África, e de Alexandria, Trípoli e Tunísia, faziam-no chegar à Espanha, e em seguida à França.

Outros países que produzem papel artesanal de maneira rudimentar e ancestral são: Índia, Paquistão, Nepal, Tibet, etc.
Com a descoberta da América, encontrou-se um papel semelhante ao papiro produzido pelos Maias e pelos Aztecas chamado Amatl. O processo de feitura difere do papiro, e é fabricado ainda hoje na cidade de San Pablito, México, e constitui fonte de renda para seu povo.

O Liber, palavra latina, é a entre-casca de árvore usada para fazer papel dando origem a palavra Livro. Era uso escrever-se em folhas de plantas na China, daí a origem da expressão ‘folha de papel’. A palavra grega Biblos era a designação feita a várias folhas escritas sobre papiro, originando assim a palavra Bíblia.

NO BRASIL

Papel artesanal no século XIX

A primeira fábrica de papel no Brasil entre 1809 e 1810 no Andaraí Pequeno (Rio de Janeiro), foi construída por Henrique Nunes Cardoso e Joaquim José da Silva, industriais portugueses transferidos para o Brasil. Deve ter começado a funcionar entre 181O e 1811, e pretendia trabalhar com fibra vegetal. Outra fábrica aparece no Rio de Janeiro, montada por André Gaillard em 1837 e logo em seguida em 1841, tem início a de Zeferino Ferraz, instalada na freguesia do Engenho Velho. O português Moreira de Sá proclama a precedência da descoberta do papel de pasta de madeira como estudo de seu laboratório, e produto de sua fábrica num soneto de sua autoria, dedicado aos príncipes D. João e Dona Carlota Joaquina impresso na primeira amostra assim fabricado.

 

 

      “A química e os desejos trabalharam

não debalde, senhor, que o fruto é este

outras nações a tanto não chegaram.”

 

 

A vinda de Moreira de Sá ao Brasil coincide com as experiências de Frei Velozo em 1809 quando produziu o papel de imbira e experimentava seu fabrico com outras plantas.

Século XX: Como tudo começou!

Presto aqui uma homenagem à Marlene Trindade, Artista e Professora da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais, que criou no ano de 1980 o Atelier de Artes da Fibra, onde demos início à pesquisa do papel artesanal no Brasil.
Participaram deste Atelier, que teve a duração de um semestre, Diva Elena Buss, Joice Saturnino, Nícia Mafra, e Paulo Campos. Com o incentivo de Marlene fomos desvendando os mistérios do papel a partir de uma apostila por ela elaborada. Terminado o semestre, cada um deu continuidade à sua própria pesquisa; trocávamos então, idéias sobre nossas novas conquistas. Em 1981, fiz a primeira exposição de papéis artesanais produzidos no Brasil, na Galeria Otto Cirne em Belo Horizonte/MG, e no fim deste mesmo ano mostrei meus trabalhos na Galeria Documenta em São Paulo/SP. Marlene preparou novo curso para o Festival de Inverno de Diamantina/MG, que gerou novos papeleiros. A semente que ela plantou, germinou, cresceu, e deu muitos frutos. A partir deste novo começo, não mais parou-se de pesquisar e produzir papel artesanal no Brasil. Ministrei meu primeiro curso de papel artesanal em janeiro de 1982 no Núcleo de Arte Contemporânea de João Pessoa/PB, dando continuidade até os dias atuais.

Matéria prima

As fibras para sua fabricação requerem algumas propriedades especiais, como alto conteúdo de celulose, baixo custo e fácil obtenção — razões pelas quais as mais usadas são as vegetais. O material mais usado é a polpa de madeira de parvores, principalmente pinus (pelo preço e resistência devido ao maior comprimento da fibra) e eucaliptos (pelo crescimento acelerado da árvore). Antes da utilização da celulose em 1840, por um alemão chamado Keller, outros materiais como o algodão, o linho e o cânhamo eram utilizados na confecção do papel. Atualmente, os papéis feitos de fibras de algodão são usados em trabalhos de restauração, de arte e artes gráficas, tal como o desenho e a gravura, que exigem um suporte de alta qualidade. Nos últimos 20 anos, a indústria papeleira, com base na utilização da celulose como matéria-prima para o papel, teve notáveis avanços, no entanto as cinco etapas básicas de fabricação do papel se mantêm: (1) estoque de cavacos, (2) fabricação da polpa, (3) branqueamento, (4) formação da folha, (5) acabamento.

No início da chamada “era dos computadores”, previa-se que o consumo de papel diminuiria bastante, pois ele teria ficado obsoleto. No entanto, esta previsão foi desmentida na prática: a cada ano, o consumo de papel tem sido maior.

É fato que os escritórios têm consumido muito mais papel após a introdução de computadores. Isso pode ter ocorrido tanto porque, com os computadores, o acesso à informação aumentou muito (aumentando a oferta de informações, aumenta também a demanda), quanto pela facilidade do uso de computadores e impressoras, o que permite que o uso do papel seja menos racional que outrora (escrever à mão, ou à máquina datilográfica, exigia muito mais esforço, diminuindo o ímpeto de gastar papel com materiais inúteis). De fato, a porcentagem de papéis impressos que nunca serão lidos é bastante alta na maior parte dos escritórios (especialmente os que dispõem de impressoras a laser (as quais imprimem numerosas páginas por minuto).

Utilidade

O papel é um material incrível que pode ser reutilizado e transformado em uma infinidade de peças interessantes. Antes da invenção do papel, os homens usavam folhas de palmeiras para escrever. Em alguns países como a China, os livros eram feitos com conchas e cascos de tartaruga, e mais tarde, passaram a ser confeccionado em bambu e seda.

Os jornais, que todos os dias são jogados fora após a leitura, podem ser transformados em peças muito bonitas e artísticas como cestas, bolsas, porta-vinho, porta lápis entre outros. Neste caso, a técnica empregada é a cestaria. Estas peças têm como base canudinhos bem finos de jornal que, dependendo da maneira como são trançados, viram objetos diferentes e originais. No acabamento da cestaria, a peça pode ser pintada com diversas técnicas ou simplesmente envernizadas.

Outra técnica bastante conhecida é o trabalho com o papel machê, que exige um pouco mais de paciência para moldar objetos, máscaras, bonecos, ímãs de geladeira e muito mais. A técnica consiste em picar o papel, deixá-lo de molho, batê-lo no liquidificados, secá-lo, acrescentar cola e, aí sim, obter a massa para ser moldada. Mas para quem busca algo mais simples, uma boa opção é confeccionar cartões artesanais, que podem ser vendidos, usados para presentear os amigos ou, quem sabe, se transformar em convites exclusivos!

Respeitando os mesmos princípios dessa técnica, uma mania que já encantava diferentes partes do mundo como os Estados Unidos e a Europa e estourou no Brasil em 2003 é o scrapbooking, ou a decoração de páginas de álbuns de fotografia, ou seja, a personalização dos registros de momentos inesquíveis com recortes, adesivos, fitas, cola, tesoura e muita imaginação. A técnica, muito simples, já é bem procurada em cursos de artesanato de todo o país.

O papel é um material relativamente barato, muito versátil e não impõe limites para a criatividade. Por isso é um dos materiais preferidos para trabalhos com crianças, dentro e fora das salas de aula.

Papier Machè ou Papel Machê é uma massa feita com papel picado embebido na água, coado e depois misturado com cola e gesso. Com esta massa é possível moldar objetos em diferentes formatos, utilitários ou decorativos.

A massa deve ser usada no máximo de um dia para outro mas, guardada em um pote plástico na geladeira, ela pode ser conservada por meses.

Crédito:

Como fazer papel

Wikipédia

Anuário de Artesanato

Copyright MVA Comunicação. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da MVA Comunicação.

 
 

 

Deixe seu comentário

comentarios

Teremos o maior prazer de ouvir seus pensamentos

      Deixe uma resposta

      5 × 2 =

      Crie sua conta ANR
      Trocar a senha