
Como você começou no artesanato?
Sempre fui muito curiosa, inventando coisas com materiais que tinha à mão, tanto que já trabalhei com bijuterias, cartões com colagem de papel, desenho, sabonetes, velas e várias outras coisas. E também em minha casa sempre fui estimulada a desenvolver esse lado. Minha mãe costura e durante um bom tempo fazia bichinhos de tecido, bolsas, lembrancinhas, tricô, sempre inventando moda. E minha avó, desde que eu era pequena, me ensinava a tricotar, chochetar, bordar. Então acho que comecei no artesanato tão naturalmente que nem tenho muito como definir, é uma coisa que sempre esteve presente em minha vida.
Qual sua técnica? Defina seu trabalho.
Hoje em dia trabalho com peças em MDF, utilizando diversas técnicas para personalizar e atribuir meu estilo às criações. Utilizo bastante a decoupage, mas tenho inventado outras maneiras de usar essa técnica, com outros materiais, algumas invencionices que às vezes dão certo outras não. Comecei a desenvolver um trabalho com fotografias, fazendo o recorte da figura em volta da caixa inteira, quase como um quebra-cabeça. Também faço algumas peças com craquelê, mosaico com material reciclável, tecido. Vou e venho entre as técnicas e materiais para poder conseguir o efeito que quero em determinado trabalho. Sempre inventando e sempre aprendendo coisas novas.
Como você define seu estilo?
Tenho um estilo bem colorido, bem “psicodélico”, como algumas pessoas dizem. Gosto de trabalhar com figuras grandes, marcantes, não sou muito de florzinhas e babadinhos. Esse é meu forte e sempre procuro fazer coisas que eu compraria, com a minha cara. Tanto que às vezes fico até com dó de vender. Mas tento também adaptar meu estilo para ampliar o leque de clientes. O que você pode ter certeza é que não verá nenhum trabalho meu que eu não compraria para mim ou para dar a alguém que gosto. Precisamos imprimir sinceridade em nossas criações, fazer o que gostamos, o que achamos bonito.
O retorno financeiro é satisfatório?
Estou ainda muito no começo de trabalhar comercialmente meus trabalhos, durante muito tempo eu fazia as coisas para mim e para amigos. Foi só há pouco tempo que comecei a pensar no artesanato como uma maneira de ganhar dinheiro também. Tenho conseguido vender a maioria das peças que faço e acredito que por enquanto o retorno tem sido bom. E além do retorno financeiro, trabalhar com algo que lhe dê prazer realmente é a melhor coisa do mundo.
Qual a dica para quem está começando?
Persistência e seguir sem medo de errar, porque você vai errar. Vai errar na divulgação, vai errar em alguns materiais, vai perder peças e demorar um pouco pra vender. Mas é seguir em frente, acreditar em seu potencial e nunca considerar os tombos como irreversíveis. Levante e tente de novo. Somos nós que fazemos nossa hora e é só acreditando que conseguimos atingir o objetivo desejado.
Qual seu foco principal, aulas ou venda de peças?
Por enquanto venda de peças mas não vejo a hora de começar a dar aulas. Dá sempre uma insegurança, ainda mais por eu ser auto-didata, de não conseguir ensinar direito, passar o que sei, mas acredito que está chegando a hora de enfrentar esse medinho bobo e começar a trocar experiências com outras pessoas, porque quando ensinamos é que mais aprendemos.
Como vende sua produção?
Divulgação entre amigos, pela internet, em lojas de amigos e feiras de artesanato, que comecei a participar há pouco tempo. Mas o lance é sempre falar o que faz, espalhar por aí. Um comenta com o outro e quando você vê tem gente que você nem conhece ligando para conhecer seu trabalho.
Qual sua principal especialidade ou especialidades?
Minha principal especialidade é a decoupage, com diversos materiais e misturada a outras técnicas. Gosto muito de trabalhar com peças de madeira, decorar, customizar até peças maiores. E reciclagem, estou sempre guardando ou catando coisas por aí para aproveitar em casa ou em algum trabalho. E vou ampliando essas especialidades, minha grande especialidade é o artesanato, é conseguir dar o toque que eu quero às peças utilizando o que tiver a mão.
Porque escolheu trabalhar com artesanato ?
Além de nunca ter me dado bem em trabalhos que exigem cumprimento de horários, regras absurdas e por não gostar nadica de acordar cedo, eu procurava algo que me fizesse bem, que me trouxesse paz de espírito. Acho que é o que todos procuram e encontram em diversos segmentos. Para mim, trabalho não pode ser obrigação, tem que ser diversão. E eu me divirto muito fazendo minhas artes, sujando a roupa, espalhando tinta pela casa inteira. É necessário ter disciplina para organizar os horários, claro, mas é uma flexibilidade que eu não tinha em outras coisas. E encontrei no artesanato uma forma de unir o prazer de fazer o que gosto e o prático da vida, que é conseguir recursos para se manter.
Há quanto tempo trabalha neste segmento ?
Comercialmente há mais ou menos um ano. Mas já fazia várias coisinhas antes, minha casa é toda decorada por mim, por coisas que faço. Mas só comecei a considerar o artesanato como trabalho há menos tempo, ainda estou engatinhando...
Por que escolheu esta especialidade?
Sempre gostei de trabalhar com tintas mas nunca desenvolvi minha habilidade para pintura de telas, por exemplo. Adoro trabalhar com madeira, sou louca para fazer um curso de marcenaria. E sempre adorei trabalhar com papel, desde criança. Já vendia cartõezinhos para as amiguinhas na época da escola. Então juntei tudo isso e comecei a produzir meus trabalhos.
Como iniciou, e como aprendeu ?
Fui iniciada no artesanato desde criança, pelo contato que sempre tive com pessoas que faziam artesanato e aprendi sempre sozinha, assistindo programas na telvisão, fuçando na internet. Nunca fiz nenhum curso propriamente dito.
Com que materiais trabalha ?
Com diversos materiais. MDF, tintas, papéis diversos, tecidos, guardanapos, materiais recicláveis e tudo mais que aparecer na minha frente e eu achar que posso usar.
Você costuma pesquisar outros materiais ?
Sempre. O segredo é esse, ir sempre atrás de novidades, fazer testes, arriscar. Freqüentar boas lojas de artesanato é uma ótima opção, você passa horas olhando, descobrindo, tendo idéias. A internet também é essencial, você descobre muita coisa pela rede.
Quanto tempo leva para produzir uma peça?
Depende muito de cada peça, mas se levarmos em conta o tempo corrido, esperando as pausas para secagem das demãos de tinta, decoração e verniz, uns dois dias. Mas é muito difícil fazer uma peça só por vez, sempre tenho várias em produção simultaneamente.
Onde se inspira para criar?
Me inspiro no mundo, nas pessoas, na cidade. Gosto muito de cores, então às vezes vejo alguém com um vestido com uma estampa daquelas bem malucas e já fico pensando, onde será que posso usar uma estampa dessas, que tipo de trabalho essa pessoa gostaria. E claro, pesquisando por aí, porque como dizem o fazer artístico é 10% inspiração e 90% transpiração. Pesquisar, pesquisar sempre.
Como você procura diferenciar seu trabalho dos demais artesãos? Como faz isso?
Como se atualiza?
Acredito que pelo meu estilo mesmo. Fujo um pouco do clássico, procuro sempre encontrar aquele ponto que ninguém notou ainda. E além disso pelo cuidado e acabamento com os objetos. É a qualidade que vai fazer com que alguém te procure novamente para adquirir uma peça. Me atualizo nas feiras, pela internet que é minha grande colaboradora e prestando muita atenção em meu próprio trabalho, procurando ver onde melhorar e o que fazer para melhorar.
Existe algum grau de dificuldade para a realização do trabalho?
Em todo trabalho existe um grau de dificuldade, no meu caso é no cuidado com o material, com os detalhes, com a finalização. A palavra talvez não seja tanto dificuldade mas paciência, calma, cuidado.
Como está o mercado para sua especialidade?
O mercado, apesar de muita gente trabalhando com o que trabalho, está bom. Está bom para quem se diferencia, para quem toma cuidado com os pequenos detalhes que muitos não percebem, para quem trabalha duro e vai atrás. Tem espaço para todos no artesanato.
Como divulga e vende seu trabalho?
A primeira divulgação é a boca a boca, um contando para o outro. Mas utilizo muito a internet e agora comecei a participar de feiras de artesanato para um maior contato com os clientes e com outros artesãos.
Você vive somente do artesanato?
Por enquanto não, trabalho com outras coisas também. Mas é meu objetivo e acredito que não estou tão longe dele.
Qual o percentual do artesanato em sua renda familiar?
Moro sozinha e nunca parei para calcular percentuais, mesmo porque, por enquanto acabo investindo o que ganho para compra de mais material, para participar de feiras e para conseguir alavancar o artesanato e deixá-lo como atividade principal. Investimento é necessário no começo.
Fale de sua inspiração, técnicas utilizadas, e objetivos desejados com o trabalho.
Com meu trabalho pretendo não só me manter financeiramente, pretendo encontrar um caminho, alegria em meu dia a dia e consolidar a marca que venho criando, a Artesanía.
Quero também passar um pouco de mim em minhas criações e ajudar outras pessoas a conseguirem encontrar algo que lhes dê prazer. Passar meu conhecimento para frente e crescer junto com tantas outras pessoas que podem agregar algo ao meu trabalho e à minha experiência de vida.
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Nome Completo: Débora Escobar
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Fonte: Artesanato Na Rede